quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quase que um re-encontro

Eu que dormi por tanto, tanto tempo.
Eu que amei a você e a ele.
Eu que reneguei minha identidade, que esqueci o meu nome e que deixei que me fizessem culpa.
Eu que te quis tanto e tanto e nem acreditei quando você sorriu.
Eu que não tive coragem.
Eu que lutei por você e passei noites em claro.
Eu que chorei de ciúmes, de raiva, de medo.
Eu que desisti.
Eu que coloquei a culpa no seu rancor.
Eu que não esqueci.
Eu que mereço o que você me negou.
Eu que te procuro e te leio e te sei, mas não te quero.
Eu que acordei.
Eu que encontrei aquela minha metade perdida.
Eu que estou feliz, como nunca.
Eu que me realizei.
Eu que não preciso mais mergulhar em minhas dores.
Eu que só sou triste por você, distante.
Eu que te entendo, te entendo.
Eu que te queria livre dos muros que você construiu.
Eu que nada posso fazer.

Você escolheu teu mundo cinza quando me ofereci para colorir.
Eu que poderia colorir tua vida, tuas dores, teu tédio, tua angústia.
E você que se fechou, como flor que murcha antes do tempo e por conta própria.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Toda nudez será castigada


Ainda bem que não quero me despir de você...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Amor de Mãe

(Ele ocupa-se de tirar o pó de um velho violino. Enquanto isso, ela se olha num pequeno pedaço de espelho).
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_ É, ômi... Tu tinha razão. Eu tô veia. Eu virei foi uma amexa seca.
_ Teu coração é que é seco, mulé. Não tua cara.
_ (dando ombros) Já vi que tu vai é passá o dia alisando essa porcaria aí que teu tio te deu. Bem que tu podia vendê isso aí que é pra vê se uma veiz na vida tu trais comida pra dentro de casa.
_ Num tô podendo mais olha pra tua cara, mulé. Tô cuma reiva aqui dentro do meu peito! Nem sei como é que tu pode vivê assim...
_ Eu só tô seguindo com a minha vida, tu é que podia me deixá em paiz.
_ Tu num pode vivê como se num tivesse aconticido nada, mulé. Tu sabe mior do q eu disso. Tu num pode! Num pode!
_ Tu teve comigo esse tempo todo, hômi... Tu me ajudô. Meu destino é o mesmo que o teu. Num tem porque ficá agora me azucrinando.
_ Eu tinha meus pensamento aqui na minha cabeça que eram tudo bão. Eram tudo pra fazê você mais eu feliz. Mas aí tu veio com aquelas história tua...
_ Num tinha otru jeito, hômi... Eu não queria...
_ Num quria, mais tu fêiz. E eu ajudei. Dispois tu fêiz de novo, e de novo, e de novo!
_ Não! Eu num fiz mais!
_ Fêiz sim que eu sei. Nem pediu minha ajuda, mas fêiz.
_ Não! Eu não fiz! Eu não fiz!
_ Quantas veiz foram, mulé? (segurando-a pelo braço, com violência) Fala! Fala de uma veiz!
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(Tentando fugir, ela pega uma faca que estava sobre a pia o atinge no ventre. Sem forças, ele a solta e ela continua esfaqueando-o, em transe).
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_ Foram sete veiz, hômi. Sete anjo que eu mandei de vorta pro céu pra num tê que passá por essa vida que é só desgraça. Agora tu vai cuidá dos anjo.
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(Ela deita sobre ele, abraçando-o e fica imóvel por algum tempo. Levanta-se repentinamente, como se tivesse ouvido algo e com as mãos ensangüentadas retira com cuidado o violino da caixa).
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_ Shiii! Num chora não, menino. Eu vô cuidá d’ocê. Eu vô sê a mior mãe pra ocê. _ Embalando-o nos braços, ela canta. A voz é rouca e um pouco desafinada – “Boi, boi, boi, boi da cara preta...”
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(Escrito para a comunidade "Dois Lados da Moeda")

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sem título 7

A dor em função das palavras ditas é muito maior que aquela provocada pelo silêncio.
É... Agora tudo parece mentira.
E foi você quem disse...

Se ninguém perde o que nunca teve, por que seus dias hoje são cinzas?

Sou dura demais ao conservar palavras tortas?
Ou sou ingênua demais em acreditar que há palavras doces que você queria ter dito, mas não disse?

Tanto faz.
Hoje tudo é vazio.
Vai ver é disso que eu gosto.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Lisos Abraços

(...)

Mas se eu te convidar pra entrar, aceite
Não me poupe dos seus lisos abraços
Eu sei, pode valer à pena,
Só não sei te prender
Nem consigo acompanhar os seus passos

(...)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Às tontas (aula de gramática)


1- Substantivos: Distância, saudade
....................Pele, toque, cheiro.
....................Constância, vontade.
....................Causa, pausa, tempo.
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2- Adjetivos: Lúgubre, pungente.
................Suave, macio, gostoso.
................Incólume, comovente.
................Sincera, severa, lento.
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3- Verbos: Fingir, querer.
.............Amar, gemer, gritar.
.............Sentir, enternecer.
.............Assustar, sustar, correr.
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3- Advérbios: Desoladamente, instintivamente;
.................Assim, dentro, sempre.
.................Incontestavelmente, devotadamente.
.................Junto, muito, tanto...
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4- Conjunções: Mesmo que, mas, logo.

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5- Preposições: Durante, até, sem.

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6- Pronomes: Ele, eu, você...

segunda-feira, 14 de abril de 2008