Música triste tocada milhões de vezes seguidas; rejeição; orgulho ferido; sucessivas tentativas de contato sem resposta; prisão de vidro que não deixa ninguém sair, mas expõe qualquer um ao ridículo da tentativa; esperar um sms um dia e uma noite inteira; insônia; confundir o som do eco com uma resposta; aceitar pedidos de desculpas como quem aceita um anestésico; tristeza profunda; ignorar; grande e definitivo buraco no coração que precisa de 15 remendos para estancar o sangue; perceber que quando você pediu para não soltarem de sua mão, já não tinha ninguém mais lá; declarações de amor dissolvidas nos pensamentos egoístas de alguém que deixou de se importar.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Porque é preciso se desprender...
Num dia você ama. É correspondida. É a pessoa mais feliz do mundo. É a pessoa mais feliz de todas as pessoas mais felizes do mundo. Tudo em você é completo.
Você nem queria.. Nem tava procurando... Você não estava nem aí pro amor. Você nem queria saber de amor. Você só estava de bem com você e aí... Aí vem o amor.
E você é a pessoa mais linda. É a pessoa mais inteligente. A pessoa mais interessante. A mais tudo da face da terra. Qualquer um daria qualquer coisa por você. E você pode rir de todos os "qualquer um" que aparecerem, porque você escolheu um amor. Você pode dizer que escolheu com a boca cheia. E foi a melhor escolha!
E de repente você já não pode respirar sem amor. Você não pode mais nada. Você precisa viver aquilo. Você precisa, precisa, precisa.
É nessa hora que o amor diz que você engordou. Você não é mais a mesma. Você é uma gorda, chata, anti-social. Você é um pé-no-saco. Você só estraga tudo. Sempre estraga tudo. E você tem vícios terríveis. E você é mau-humorada. E você esquece de mim. E céus, como você tá feia! E eu não sei mais porque quis você um dia. E eu não vejo mais sentido pra nós. E eu não vejo futuro. E eu estou cansado. E eu não aguento mais. E eu vou sair, vou fazer alguma coisa que me deixe feliz.
E você fica aí. Você não vale um nada, mas você é minha. E eu gosto de manter as coisas minhas. Não vou deixar você ir. Não posso deixar você me descartar assim. Ninguém me descarta assim, ainda mais um nada! Um nada gorda, chata e mau-humorada que nem você.
E então você precisa partir. Você precisa se desprender. Você precisa ouvir afetos e não cobranças. Você precisa de você de novo. E você se desprende, mas só sobra o vácuo. O imenso vácuo. O grande vazio dos sonhos perdidos. O vazio do fim das críticas. O vazio do fim das cobranças. O vazio do fim das discussões intermináveis por qualquer coisa. O vazio de tudo o que você não queria mais, mas continuava agarrada porque não sabia mais o que seria de tudo aquilo que você quis se você não quizesse mais!
E aí é hora de juntar os pedaços.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Porque a ignorância é o único remédio para as dores irremediáveis
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
“Toda mulher é um mistério a ser desvendado…
Ela nada esconde de seu verdadeiro amante.
A cor de sua pele pode nos indicar como proceder.
O matiz, como o da rosa, róseo e pálido…
Ela deve ser persuadida a se abrir com ardor… Como o do sol.
A pele pálida das ruivas…
Exige a lascívia da onda batendo na praia…
Para despertar o interior e trazer à tona as espumosas delícias do amor.
Embora não haja metáfora que descreva como amar uma mulher…
Eu diria que é como tocar um instrumento raro.
Será que um Stradivarius…
Sente o mesmo que o violinista que consegue…
tirar a nota perfeita de seu coração?”Trecho do filme Don Juan de Marco
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domingo, 7 de dezembro de 2008
Um brinde à primeira vez
B. em seu blog "A vida Secreta"
http://www.avidasecreta.com/um-brinde-a-primeira-vez/
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Teimosia
A menina caminha de um lado para o outro. O olhar sério, a cara amarrada. Inquieta, repetindo mentalmente cada frase, sem falar nada. Assim passa dez longos minutos. Os dez mais longos minutos. E só depois disso, fala com ares de decidida:
_ Quero escrever sobre sexo!
_ Ora, você é uma menina! O que sabe sobre sexo?
_ Nada! Mas por isso mesmo...
_ Por isso mesmo você deveria se preservar!
A menina respira fundo. Conta até três. Conta até dez. Conta até vinte e dispara:
_ Você acha que tem alguma coisa de errado com o sexo?
_ Não. Eu acho que tem com o modo como as pessoas encaram uma menina que pensa em sexo.
_ Você acha que é vergonhoso uma menina pensar em sexo?
_ Acho que pode se transformar num fardo difícil de carregar.
_Você acha que eu seria mal interpretada?
_ Acho.
A menina senta e segura o próprio rosto com as duas mãos, os braços apoiados na mesa e o olhar parado, prestando atenção numa migalha de pão minúscula. Mais um instante e ela levanta novamente os olhos, firmes:
_ Mas eu quero!
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O porquê das palavras inteiras
Não estou confusa.
Sei exatamente o tamanho do meu amor e dos meus desejos.
Eu não amava você, eu amo. É diferente.
E é um desses grandes amores que a gente cria e depois não sabe mais se é real ou imaginário. De qualquer forma, mesmo que eu tenha inventado esse amor, ele existe.
Mas eu também tenho amor-próprio e algum discernimento.
Precisava dizer que você não foi leal e que isso me deixou um gosto amargo na boca.
Precisava dizer que esperava muito mais de você, mas nunca soube cobrar.
Sou avessa às cobranças.
Eu opto pelas palavras inteiras porque já sei de mim. Ruminei cada um dos meus sentimentos e os aceito bem, tenho carinho por eles. Por causa disso, posso até me dar ao luxo de ser racional.
Fico aqui pensando sobre essa sua volta e me pergunto se você agora me oferece todas as suas flores por causa de algo que eu posso representar a você ou por que não consegue aceitar uma perda. Qualquer perda que seja. Preciso encarar que talvez você só não queira admitir que perdeu o jogo, por mais que já estivesse mais do que evidente que estava perdido. Para pessoas como nós, perder sempre dói. Seja um jogo de cartas, uma briga, um amor, um qualquer coisa que mecha com o orgulho. Existem gradações aí e é em busca delas que estou.
Perdoo você por todas as suas confusões e incompletudes, tenho também as minhas. Só não perdoo pelo tempo que se passou e não volta. Você já perdeu demais da minha vida e isso foi escolha sua. Eu poderia ter morrido nesse meio tempo. Tive até uma chance real para isso e de fato eu estive morta por dentro durante dias e dias e você não estava lá. Outras pessoas estavam e continuam comigo. Elas merecem hoje meu apreço, meu abraço e minha gratidão. E você eu não culpo por não ter tomado conhecimento do que se passou, mas culpo pelo silêncio.
E agora eu faço falta? E o que aconteceu durante esse tempo todo que não fiz nenhuma falta? O que faz com que agora seja diferente e você já não esteja confortável como antes? É o conhecimento da perda que fez diferença?
Esse é o tamanho da minha mágoa. Mas eu esqueço fácil diante de palavras bonitas. Você me inebria e eu não raciocino direito. Não estou me apegando à mágoa. Não sou rancorosa. Só estou agarrada ao meu amor-próprio.
Preciso de palavras inteiras e lógicas. Há sim meios de explicar o que sentimos com palavras, o único percalço é a dificuldade de encarar nossos sentimentos com sinceridade, aceitá-los e ter coragem para compartilhá-los. Tudo muito difícil.
O mais importante é dizer que não quero suas flores, ainda que sejam as melhores. Tampouco quero acesso ao seu jardim. Quero a sua casa. Os enfeites, a pintura descascada, o pó escondido embaixo do tapete, o chuveiro, o ralo, a cozinha e a cama. Não me entregue o que é bonito se já lhe dei as minhas vísceras.
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