“Toda mulher é um mistério a ser desvendado…
Ela nada esconde de seu verdadeiro amante.
A cor de sua pele pode nos indicar como proceder.
O matiz, como o da rosa, róseo e pálido…
Ela deve ser persuadida a se abrir com ardor… Como o do sol.
A pele pálida das ruivas…
Exige a lascívia da onda batendo na praia…
Para despertar o interior e trazer à tona as espumosas delícias do amor.
Embora não haja metáfora que descreva como amar uma mulher…
Eu diria que é como tocar um instrumento raro.
Será que um Stradivarius…
Sente o mesmo que o violinista que consegue…
tirar a nota perfeita de seu coração?”Trecho do filme Don Juan de Marco
sexta-feira, 10 de abril de 2009
domingo, 7 de dezembro de 2008
Um brinde à primeira vez
“Vinho, mas só em ocasiões especiais.” Quando ela mostrou a garrafa eu sorri, era um momento especial. Um brinde à primeira vez, porque algo em mim dizia que não seria a última. Um beijo para provar aqueles lábios doces e aquela adolescente sensação de não saber o que fazer com as mãos, já que o único desejo era o de tomá-la. E foi o que fiz, foi o que fizemos. Devagarzinho, porque apesar da sede, não havia pressa. Porque só uma mulher sabe o prazer que é ser deliciosa e lentamente seduzida. Porque não era novidade, mas era a primeira vez. Porque o desejo de guardar a melhor lembrança daquele primeiro encontro, era maior que o arrebatamento das nossas vontades. Porque aqueles olhos iluminavam a penumbra do quarto, e o tato era cada vez mais aguçado pela curiosidade e o desejo. E então, cada peça despida era um presente, cada sensação do toque era uma dádiva, mas nada se compara ao prazer de percebê-la encharcada só com estas doces carícias. Foi instinto, imediato, também melei. E provei. Provamos. Nos beijamos, nos bebemos, nos comemos, porque a minha sede era dela e a sede dela de mim. Porque nunca as horas passaram tão rápido, porque os gemidos nunca foram tão intensos, porque a vontade nunca foi tanta e o prazer nunca foi tão explícito e sem vergonha. E quando lembro melo, sorrio, contraio, estremeço e gozo. “À primeira vez!”, foi o brinde. Memorável, inesquecível."
B. em seu blog "A vida Secreta"
http://www.avidasecreta.com/um-brinde-a-primeira-vez/
B. em seu blog "A vida Secreta"
http://www.avidasecreta.com/um-brinde-a-primeira-vez/
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Teimosia
A menina caminha de um lado para o outro. O olhar sério, a cara amarrada. Inquieta, repetindo mentalmente cada frase, sem falar nada. Assim passa dez longos minutos. Os dez mais longos minutos. E só depois disso, fala com ares de decidida:
_ Quero escrever sobre sexo!
_ Ora, você é uma menina! O que sabe sobre sexo?
_ Nada! Mas por isso mesmo...
_ Por isso mesmo você deveria se preservar!
A menina respira fundo. Conta até três. Conta até dez. Conta até vinte e dispara:
_ Você acha que tem alguma coisa de errado com o sexo?
_ Não. Eu acho que tem com o modo como as pessoas encaram uma menina que pensa em sexo.
_ Você acha que é vergonhoso uma menina pensar em sexo?
_ Acho que pode se transformar num fardo difícil de carregar.
_Você acha que eu seria mal interpretada?
_ Acho.
A menina senta e segura o próprio rosto com as duas mãos, os braços apoiados na mesa e o olhar parado, prestando atenção numa migalha de pão minúscula. Mais um instante e ela levanta novamente os olhos, firmes:
_ Mas eu quero!
_ Quero escrever sobre sexo!
_ Ora, você é uma menina! O que sabe sobre sexo?
_ Nada! Mas por isso mesmo...
_ Por isso mesmo você deveria se preservar!
A menina respira fundo. Conta até três. Conta até dez. Conta até vinte e dispara:
_ Você acha que tem alguma coisa de errado com o sexo?
_ Não. Eu acho que tem com o modo como as pessoas encaram uma menina que pensa em sexo.
_ Você acha que é vergonhoso uma menina pensar em sexo?
_ Acho que pode se transformar num fardo difícil de carregar.
_Você acha que eu seria mal interpretada?
_ Acho.
A menina senta e segura o próprio rosto com as duas mãos, os braços apoiados na mesa e o olhar parado, prestando atenção numa migalha de pão minúscula. Mais um instante e ela levanta novamente os olhos, firmes:
_ Mas eu quero!
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
O porquê das palavras inteiras
Não estou confusa.
Sei exatamente o tamanho do meu amor e dos meus desejos.
Eu não amava você, eu amo. É diferente.
E é um desses grandes amores que a gente cria e depois não sabe mais se é real ou imaginário. De qualquer forma, mesmo que eu tenha inventado esse amor, ele existe.
Mas eu também tenho amor-próprio e algum discernimento.
Precisava dizer que você não foi leal e que isso me deixou um gosto amargo na boca.
Precisava dizer que esperava muito mais de você, mas nunca soube cobrar.
Sou avessa às cobranças.
Eu opto pelas palavras inteiras porque já sei de mim. Ruminei cada um dos meus sentimentos e os aceito bem, tenho carinho por eles. Por causa disso, posso até me dar ao luxo de ser racional.
Fico aqui pensando sobre essa sua volta e me pergunto se você agora me oferece todas as suas flores por causa de algo que eu posso representar a você ou por que não consegue aceitar uma perda. Qualquer perda que seja. Preciso encarar que talvez você só não queira admitir que perdeu o jogo, por mais que já estivesse mais do que evidente que estava perdido. Para pessoas como nós, perder sempre dói. Seja um jogo de cartas, uma briga, um amor, um qualquer coisa que mecha com o orgulho. Existem gradações aí e é em busca delas que estou.
Perdoo você por todas as suas confusões e incompletudes, tenho também as minhas. Só não perdoo pelo tempo que se passou e não volta. Você já perdeu demais da minha vida e isso foi escolha sua. Eu poderia ter morrido nesse meio tempo. Tive até uma chance real para isso e de fato eu estive morta por dentro durante dias e dias e você não estava lá. Outras pessoas estavam e continuam comigo. Elas merecem hoje meu apreço, meu abraço e minha gratidão. E você eu não culpo por não ter tomado conhecimento do que se passou, mas culpo pelo silêncio.
E agora eu faço falta? E o que aconteceu durante esse tempo todo que não fiz nenhuma falta? O que faz com que agora seja diferente e você já não esteja confortável como antes? É o conhecimento da perda que fez diferença?
Esse é o tamanho da minha mágoa. Mas eu esqueço fácil diante de palavras bonitas. Você me inebria e eu não raciocino direito. Não estou me apegando à mágoa. Não sou rancorosa. Só estou agarrada ao meu amor-próprio.
Preciso de palavras inteiras e lógicas. Há sim meios de explicar o que sentimos com palavras, o único percalço é a dificuldade de encarar nossos sentimentos com sinceridade, aceitá-los e ter coragem para compartilhá-los. Tudo muito difícil.
O mais importante é dizer que não quero suas flores, ainda que sejam as melhores. Tampouco quero acesso ao seu jardim. Quero a sua casa. Os enfeites, a pintura descascada, o pó escondido embaixo do tapete, o chuveiro, o ralo, a cozinha e a cama. Não me entregue o que é bonito se já lhe dei as minhas vísceras.
Sei exatamente o tamanho do meu amor e dos meus desejos.
Eu não amava você, eu amo. É diferente.
E é um desses grandes amores que a gente cria e depois não sabe mais se é real ou imaginário. De qualquer forma, mesmo que eu tenha inventado esse amor, ele existe.
Mas eu também tenho amor-próprio e algum discernimento.
Precisava dizer que você não foi leal e que isso me deixou um gosto amargo na boca.
Precisava dizer que esperava muito mais de você, mas nunca soube cobrar.
Sou avessa às cobranças.
Eu opto pelas palavras inteiras porque já sei de mim. Ruminei cada um dos meus sentimentos e os aceito bem, tenho carinho por eles. Por causa disso, posso até me dar ao luxo de ser racional.
Fico aqui pensando sobre essa sua volta e me pergunto se você agora me oferece todas as suas flores por causa de algo que eu posso representar a você ou por que não consegue aceitar uma perda. Qualquer perda que seja. Preciso encarar que talvez você só não queira admitir que perdeu o jogo, por mais que já estivesse mais do que evidente que estava perdido. Para pessoas como nós, perder sempre dói. Seja um jogo de cartas, uma briga, um amor, um qualquer coisa que mecha com o orgulho. Existem gradações aí e é em busca delas que estou.
Perdoo você por todas as suas confusões e incompletudes, tenho também as minhas. Só não perdoo pelo tempo que se passou e não volta. Você já perdeu demais da minha vida e isso foi escolha sua. Eu poderia ter morrido nesse meio tempo. Tive até uma chance real para isso e de fato eu estive morta por dentro durante dias e dias e você não estava lá. Outras pessoas estavam e continuam comigo. Elas merecem hoje meu apreço, meu abraço e minha gratidão. E você eu não culpo por não ter tomado conhecimento do que se passou, mas culpo pelo silêncio.
E agora eu faço falta? E o que aconteceu durante esse tempo todo que não fiz nenhuma falta? O que faz com que agora seja diferente e você já não esteja confortável como antes? É o conhecimento da perda que fez diferença?
Esse é o tamanho da minha mágoa. Mas eu esqueço fácil diante de palavras bonitas. Você me inebria e eu não raciocino direito. Não estou me apegando à mágoa. Não sou rancorosa. Só estou agarrada ao meu amor-próprio.
Preciso de palavras inteiras e lógicas. Há sim meios de explicar o que sentimos com palavras, o único percalço é a dificuldade de encarar nossos sentimentos com sinceridade, aceitá-los e ter coragem para compartilhá-los. Tudo muito difícil.
O mais importante é dizer que não quero suas flores, ainda que sejam as melhores. Tampouco quero acesso ao seu jardim. Quero a sua casa. Os enfeites, a pintura descascada, o pó escondido embaixo do tapete, o chuveiro, o ralo, a cozinha e a cama. Não me entregue o que é bonito se já lhe dei as minhas vísceras.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Quase que um re-encontro
Eu que dormi por tanto, tanto tempo.
Eu que amei a você e a ele.
Eu que reneguei minha identidade, que esqueci o meu nome e que deixei que me fizessem culpa.
Eu que te quis tanto e tanto e nem acreditei quando você sorriu.
Eu que não tive coragem.
Eu que lutei por você e passei noites em claro.
Eu que chorei de ciúmes, de raiva, de medo.
Eu que desisti.
Eu que coloquei a culpa no seu rancor.
Eu que não esqueci.
Eu que mereço o que você me negou.
Eu que te procuro e te leio e te sei, mas não te quero.
Eu que acordei.
Eu que encontrei aquela minha metade perdida.
Eu que estou feliz, como nunca.
Eu que me realizei.
Eu que não preciso mais mergulhar em minhas dores.
Eu que só sou triste por você, distante.
Eu que te entendo, te entendo.
Eu que te queria livre dos muros que você construiu.
Eu que nada posso fazer.
Você escolheu teu mundo cinza quando me ofereci para colorir.
Eu que poderia colorir tua vida, tuas dores, teu tédio, tua angústia.
E você que se fechou, como flor que murcha antes do tempo e por conta própria.
Eu que amei a você e a ele.
Eu que reneguei minha identidade, que esqueci o meu nome e que deixei que me fizessem culpa.
Eu que te quis tanto e tanto e nem acreditei quando você sorriu.
Eu que não tive coragem.
Eu que lutei por você e passei noites em claro.
Eu que chorei de ciúmes, de raiva, de medo.
Eu que desisti.
Eu que coloquei a culpa no seu rancor.
Eu que não esqueci.
Eu que mereço o que você me negou.
Eu que te procuro e te leio e te sei, mas não te quero.
Eu que acordei.
Eu que encontrei aquela minha metade perdida.
Eu que estou feliz, como nunca.
Eu que me realizei.
Eu que não preciso mais mergulhar em minhas dores.
Eu que só sou triste por você, distante.
Eu que te entendo, te entendo.
Eu que te queria livre dos muros que você construiu.
Eu que nada posso fazer.
Você escolheu teu mundo cinza quando me ofereci para colorir.
Eu que poderia colorir tua vida, tuas dores, teu tédio, tua angústia.
E você que se fechou, como flor que murcha antes do tempo e por conta própria.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Amor de Mãe
(Ele ocupa-se de tirar o pó de um velho violino. Enquanto isso, ela se olha num pequeno pedaço de espelho).
.
.
_ É, ômi... Tu tinha razão. Eu tô veia. Eu virei foi uma amexa seca.
_ Teu coração é que é seco, mulé. Não tua cara.
_ (dando ombros) Já vi que tu vai é passá o dia alisando essa porcaria aí que teu tio te deu. Bem que tu podia vendê isso aí que é pra vê se uma veiz na vida tu trais comida pra dentro de casa.
_ Num tô podendo mais olha pra tua cara, mulé. Tô cuma reiva aqui dentro do meu peito! Nem sei como é que tu pode vivê assim...
_ Eu só tô seguindo com a minha vida, tu é que podia me deixá em paiz.
_ Tu num pode vivê como se num tivesse aconticido nada, mulé. Tu sabe mior do q eu disso. Tu num pode! Num pode!
_ Tu teve comigo esse tempo todo, hômi... Tu me ajudô. Meu destino é o mesmo que o teu. Num tem porque ficá agora me azucrinando.
_ Eu tinha meus pensamento aqui na minha cabeça que eram tudo bão. Eram tudo pra fazê você mais eu feliz. Mas aí tu veio com aquelas história tua...
_ Num tinha otru jeito, hômi... Eu não queria...
_ Num quria, mais tu fêiz. E eu ajudei. Dispois tu fêiz de novo, e de novo, e de novo!
_ Não! Eu num fiz mais!
_ Fêiz sim que eu sei. Nem pediu minha ajuda, mas fêiz.
_ Não! Eu não fiz! Eu não fiz!
_ Quantas veiz foram, mulé? (segurando-a pelo braço, com violência) Fala! Fala de uma veiz!
.
(Tentando fugir, ela pega uma faca que estava sobre a pia o atinge no ventre. Sem forças, ele a solta e ela continua esfaqueando-o, em transe).
.
_ Foram sete veiz, hômi. Sete anjo que eu mandei de vorta pro céu pra num tê que passá por essa vida que é só desgraça. Agora tu vai cuidá dos anjo.
.
(Ela deita sobre ele, abraçando-o e fica imóvel por algum tempo. Levanta-se repentinamente, como se tivesse ouvido algo e com as mãos ensangüentadas retira com cuidado o violino da caixa).
.
_ Shiii! Num chora não, menino. Eu vô cuidá d’ocê. Eu vô sê a mior mãe pra ocê. _ Embalando-o nos braços, ela canta. A voz é rouca e um pouco desafinada – “Boi, boi, boi, boi da cara preta...”
.
(Escrito para a comunidade "Dois Lados da Moeda")
_ Teu coração é que é seco, mulé. Não tua cara.
_ (dando ombros) Já vi que tu vai é passá o dia alisando essa porcaria aí que teu tio te deu. Bem que tu podia vendê isso aí que é pra vê se uma veiz na vida tu trais comida pra dentro de casa.
_ Num tô podendo mais olha pra tua cara, mulé. Tô cuma reiva aqui dentro do meu peito! Nem sei como é que tu pode vivê assim...
_ Eu só tô seguindo com a minha vida, tu é que podia me deixá em paiz.
_ Tu num pode vivê como se num tivesse aconticido nada, mulé. Tu sabe mior do q eu disso. Tu num pode! Num pode!
_ Tu teve comigo esse tempo todo, hômi... Tu me ajudô. Meu destino é o mesmo que o teu. Num tem porque ficá agora me azucrinando.
_ Eu tinha meus pensamento aqui na minha cabeça que eram tudo bão. Eram tudo pra fazê você mais eu feliz. Mas aí tu veio com aquelas história tua...
_ Num tinha otru jeito, hômi... Eu não queria...
_ Num quria, mais tu fêiz. E eu ajudei. Dispois tu fêiz de novo, e de novo, e de novo!
_ Não! Eu num fiz mais!
_ Fêiz sim que eu sei. Nem pediu minha ajuda, mas fêiz.
_ Não! Eu não fiz! Eu não fiz!
_ Quantas veiz foram, mulé? (segurando-a pelo braço, com violência) Fala! Fala de uma veiz!
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(Tentando fugir, ela pega uma faca que estava sobre a pia o atinge no ventre. Sem forças, ele a solta e ela continua esfaqueando-o, em transe).
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_ Foram sete veiz, hômi. Sete anjo que eu mandei de vorta pro céu pra num tê que passá por essa vida que é só desgraça. Agora tu vai cuidá dos anjo.
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(Ela deita sobre ele, abraçando-o e fica imóvel por algum tempo. Levanta-se repentinamente, como se tivesse ouvido algo e com as mãos ensangüentadas retira com cuidado o violino da caixa).
.
_ Shiii! Num chora não, menino. Eu vô cuidá d’ocê. Eu vô sê a mior mãe pra ocê. _ Embalando-o nos braços, ela canta. A voz é rouca e um pouco desafinada – “Boi, boi, boi, boi da cara preta...”
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(Escrito para a comunidade "Dois Lados da Moeda")
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